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Gênese de uma peça

O concurso leva o nome de Antonio José da Silva, o Judeu, mas no ano de 2008 teve como tema o padre Antonio Vieira, em comemoração aos 400 anos de seu nascimento.

Lembrei-me das longínquas aulas na UFRJ dos anos 1970, quando uma das professoras nos dava títulos para desenvolver em redação e insistia: leiam e releiam o título, vejam sobre o que fala, e encontrarão a maneira certa de escrever sua composição. Assim, li e reli várias vezes, muitas vezes, o tema do concurso luso-brasileiro Funarte - Instituto Camões, a fim de ver como abordar o brilhante padre sem abandonar o escritor judeu. Já conhecia a obra e a vida de Antonio José da Silva, o Judeu.  Do padre Antonio também conhecia boa parte da obra: os belos sermões, principalmente. Mas não conhecia sua vida, percebi. E fui em busca de sua biografia.
Para minha surpresa, o padre havia sido perseguido, interrogado e preso pela Inquisição. Pronto. Estava ali o elo para unir os dois personagens. Mas então pensei que, abordando o padre e o dramaturgo, iria abandonar o século XVI, eis que o padre Antonio Vieira nasceu em 1608, e pertencia, pois ao século XVII; e Antonio José da Silva, o Judeu, viu a luz em 1705, já no século XVIII.
Não queria deixar de fora o século XVI; não podia, pois já então ocorrera no Brasil a primeira Visitação do Santo Ofício. Precisava falar desse período também, mas como fazê-lo sem me repetir? Sim, me repetir, pois Branca Dias, a grande mulher que veio a ser a primeira Senhora de Engenho, eu havia abordado em outra peça, hoje publicada. Quanto a Bento Teixeira, o primeiro poeta do Brasil e cristão-novo polêmico, eu também explorara em outra peça, e vinha mantendo contatos para encená-la.  Eu tinha um dilema nas mãos, e um dilema a ser rapidamente solucionado.
Sexo? Sexo! No sexo veio a resposta. O visitador do Santo Ofício ficara extremamente abalado, confuso, revoltado com a riqueza de variações sexuais encontradas na colônia, desde a bigamia até a sodomia, que encontrou não em um nem em dois, mas em três aspectos. Há vários livros que abordam o tema e são tão instigantes que sua leitura foi feita quase de um só fôlego.
E pronto. Eu tinha três períodos importantes da Inquisição. Porém, como até hoje muitas de suas idéias pairam no ar, levemente transmutadas em ódios entre povos, intolerância das mais esdrúxulas formas - mesmo nos ambientes mais inesperados -, ambições desmedidas que ameaçam toda a espécie humana, concluí que a Inquisição ecoava até nossos dias. E nasceu Ecos da Inquisição, uma das quatro finalistas brasileiras daquele concurso Brasil – Portugal, e que a Eletrobrás, com seu generoso patrocínio, me permite trazer aos palcos a partir de 4 de dezembro de 2009, no Centro Cultural de Justiça Federal. Mais uma vez, agradeci humildemente à antiga professora universitária que nos ensinava a pensar com atenção e qualidade.

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Miriam Halfim escreve contos e,
após estudar com João Bethencourt
e Renato José Pécora, dramaturgia.

Agenda

  • 04/12: Ecos da Inquisição

    A peça está em cartaz no CCJF: Avenida Rio Branco 241, Cinelândia, RJ. De sexta a domingo às 19h. Desde 4 de Dezembro até 07 de Fevereiro de 2010. O espetáculo tem o patrocínio da Eletrobrás e a direção do premiado Moacir Chaves. 

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