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Sete dias em nossas vidas

Uma semana como as outras; pelo menos na política, quando novos absurdos do ‘Bolsa-Família’ vêm à tona. 2168 políticos recebem repasses do programa, a maioria vereadores eleitos, e mesmo já empossados. A punição: seus nomes foram cortados do programa e não recebem mais a ‘santa ajuda’.

Somente isto. Ou seja, nada. O programa faz dez anos, beneficia quase 14 milhões de

 

Sete dias em nossas vidas

Publicado por em 14 de outubro de 2013 | Categoria:

bolsa

famílias, ou seja, milhões de votos, e não tem plano para acabar. Já teve, em 2008, pagamento a 588 políticos eleitos – uma reincidência, agora; 3791 mortos; 106329 donos de carros. Parece loucura? É uma loucura. Aquela balela de ensinar a pescar foi, oficialmente, transmutada em ensinar a abrir a boca para ganhar uma sardinha, sem trabalho, guardadas as lagostas para o apetite voraz do governo.

Malala Yousufzai Malala 

 

Por outro lado, lemos, também, que no Paquistão, em 2008, 400 escolas haviam sido destruídas pelo talibã. A luta pela educação feminina feriu a menina Malala, que se recuperou, está ainda mais forte e determinada, e deve, um dia, chefiar seu país.  Onde não se educa, diz o ditado, semeia-se a extinção. Quantos povos evaporaram na poeira do tempo?

Por que será que nosso Brasil prefere deixar a Educação de nossa juventude em tão baixo nível, na rabeira das estatísticas mundiais? E a tão propalada ideia de que os jovens são nosso futuro e merecem o melhor? Por que nos aproximamos dos Castro, de Cristina Kirchner? Esta já abraça o ocaso de seu nefasto reinado, como sucederá em breve com os ‘donos’ da ilha, ninguém duvida. Sem falar no Maduro venezuelano, outro que tem o suporte de Brasília, embora demonstre técnicas as mais primitivas de governo, que beiram à loucura. O ser humano, qual cego, inebriado pelo Poder político, insiste em caminhar em direção ao pior dos pesadelos. Levará junto, quem dele estiver próximo.

Acho que é para me manter fiel aos meus sonhos que sigo dando aulas de reforço voluntário – de ambas as partes – a crianças de escolas públicas, em geral filhos de porteiros da vizinhança. E quando os ouço dizer que estão tirando 8, 9, quando tinham notas 5 em Português; e como aprendem a ler no ritmo certo, e a interpretar texto, e a escrever um vernáculo culto, e a se prepararem para bolsas de estudo (e não ‘família’) numa boa escola, para tentar o vestibular para uma universidade pública ou se profissionalizarem num colégio de alto nível (são raros, mas existem), eu sorrio, pois tenho a sensação de estar sendo uma cidadã melhor, e útil ao meu próximo.

E depois de algum tempo deixá-los, seguros de que andarão por suas próprias pernas – como já aconteceu com alguns. Parece simples. É simples assim.

marina_e_dilma_globalanalise Marina e Dilma

 

O presidente do PT está assustado com Marina Silva. Fala em vingança da parte dela, aposta em quebra interna no partido que a acolheu. Parece mesmo assustado. O tempo dirá se tem razão tanto susto. Hoje, a PF promete rastrear no exterior o dinheiro ‘doado’ ao PT em 2002, prometendo até mesmo levar Lula a depor. Lula, que disse, em Paris, tomado pela surpresa do Mensalão anunciado, que se alguém havia errado, devia pagar. Devia e deve. Mesmo.

Sei não, mas o Brasil perdeu o grande momento de fazer História ao apresentar sua vergonhosa votação do STF, nos protelatórios recursos do Mensalão. Perdido o bonde da História, agora é correr atrás do prejuízo e ver se diminuímos o prejuízo, o que será difícil.

Sem firmeza, não se faz justiça. Com rabo preso, ninguém consegue agir. O país todo –vide nossos políticos – deve sentir-se assim, podemos facilmente imaginar. Se tocarem no réu errado, o novelo se desmancha por inteiro, e aí acabará enrolando gente demais, num dominó que não se sabe até onde poderá chegar.

Nossa política anda nebulosa, mal cheirosa, mas precisa se recuperar. Como dizem que tudo na vida tem jeito, é torcer para que se reabilite. O povo anda esgotado. Que siga se manifestando, muito, e que os mascarados baderneiros ‘contratados’ saiam de cena. A nova cara do Brasil tem rosto limpo e não destrói seu próprio patrimônio. Expulsa dele quem não merece ali estar. A peça ainda não acabou, e aguarda um belo e justo desfecho, como merece o povo brasileiro.

Contrabalançando tanto imbróglio político, a semana teve o lançamento de ‘Secchin’. Trata-se de um livro de indiscutível beleza, trabalho de fôlego, a cargo de dois autores, um deles Godofredo de Oliveira Neto, sobre a obra de Antonio Carlos Secchin, poeta que dedica a vida aos versos e à Cultura. Sechin é membro da ABL e meu confrade, com muita honra, na ACL. Sigo, ainda, com ‘Jerusalém’, de Simon Montefiore, 800 páginas de muita história. Sem contar a maravilhosa enciclopédica poética, outro livro que tenho à mão, de Geraldo de Holanda Cavalcanti.

E a semana teve, ainda, muito cinema. Começou com ‘O último dos injustos’, do festival, que aborda, segundo a visão do cineasta Claude Lanzmann, depoimento de Benjamin Mursmelstein, o último dos Anciãos de Theresienstadt, que teve contato de perto e constante com Adolf Eichmann, sempre em busca de informações sobre judeus. Afinal, Eichmann se dizia o expert em judeus dos nazistas, não importando quão superficiais e distorcidas fossem suas noções de judaísmo. O filme é duro, mostra um rabino muito culto e inteligente, jamais perdoado por ter escapado daquele inferno; ainda que tenha conseguido salvar vidas judias. Talvez o filme venha em algum canal de cine da TV. É bom assistir.

E teve, também, ‘Preenchendo o vazio’, em cartaz no Espaço Itaú, que aborda costumes ortodoxos judaicos. O roteiro deixa o espectador sempre em dúvida sobre os motivos reais que levam a ação a acontecer: se advindos da indução religiosa, familiar, ou de real sentimento intrínseco. A história é importante, rica e a escolha do ator ajuda – e muito – na ambiguidade das ações.

E ainda teve ‘Lore’, no cine Estação-Rio, na Rua Voluntários da Pátria. Neste filme, acompanhamos o fim da Segunda Grande Guerra. Hitler está morto, nazistas são presos, e uma jovem, ainda adolescente, é deixada sozinha com quarto irmãos menores. Com eles, precisa chegar à casa da avó.

No árduo caminho de um país destroçado, tomará conhecimento das atrocidades dos nazistas, um deles seu pai, sendo ajudada em sua jornada pelo elemento mais surpreendente que poderia esperar. Ao chegar ao seu destino, todas as suas crenças terão caído por terra, e o resultado catastrófico da guerra a obrigará a se redescobrir.

Alguns filmes têm surgido visando mostrar outra visão do Holocausto. Este é também um filme sério, duro, imperdível para conhecer um pouco mais sobre este vasto, complexo, inesgotável, ainda e mais uma vez doente, mundo que nos abriga.

Miriam Halfim escreve contos e,
após estudar com João Bethencourt
e Renato José Pécora, dramaturgia.

Agenda

  • 04/12: Ecos da Inquisição

    A peça está em cartaz no CCJF: Avenida Rio Branco 241, Cinelândia, RJ. De sexta a domingo às 19h. Desde 4 de Dezembro até 07 de Fevereiro de 2010. O espetáculo tem o patrocínio da Eletrobrás e a direção do premiado Moacir Chaves. 

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