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Sobre Branca Dias - dados para palestra

Nos primeiros anos da descoberta do Brasil, houve muita retirada de pau-brasil (abundante em toda a costa), bem como a construção de feitorias para armazená-lo e depois carregar os navios (com a ajuda dos índios - que também o derrubavam).

Em 1535, Duarte Coelho é enviado para tomar posse de sua capitania, a de Pernambuco, (alguns donatários - governadores de capitanias - jamais visitaram a que receberam de presente), trazendo com ele alguns judeus, para incrementar o comércio da colônia, para povoar e também para construir engenhos.

Diogo Fernandes, marido de Branca Dias, está entre eles. Ela chega por volta de 1550, após uma estadia longa e penosa nos Estaus, a prisão de Lisboa (por ser cristã-nova), de onde fugiu de maneira não totalmente esclarecida (talvez suborno).

O quadro que Branca Dias encontra ao chegar em casa é um prato feito para a dramaturgia. A amante do marido, Madalena, a filha bastarda dos dois, Briolanja, o dilema de resolver tamanho conflito. Teatro puro. No engenho do Camaragibe, de Diogo e sua família, se

Reuniam os cristãos-novos para praticar judaísmo, avisados por um cavaleiro com uma fita amarrada na perna, o sinal para se dirigirem todos ao engenho.

A fazenda foi incendiada, atacada pelos índios (os franceses instigavam os índios contra os portugueses - queriam a colônia), sua força para ajudar o marido a se reerguer (foi a primeira mestre- escola mulher do Brasil, quando apenas jesuítas ensinavam - além de Bento Teixeira), seu trabalho com os filhos deficientes (um sem braços - Manuel Alonso, e Brites, corcunda e débil mental e tudo sem ajuda de psicologia), sua fibra ao lidar com Madalena e Briolanja e os cristãos-velhos da colônia, sua obstinação em recriar as festas judias e comemorá-las, sua dignidade ao buscar marido para a filha bastarda do marido - acabou encontrando, sua determinação em continuar no engenho após a morte do marido, todos os ingredientes mostram um quadro do judaísmo que não esmorece, não desiste, não fere os inimigos mas não cede a eles.

Muitos livros das Denunciações de Pernambuco desapareceram. Branca Dias foi denunciada pelo menos cinco vezes e há fortes indícios de que Briolanja tenha sido uma das denunciantes. De todo modo, Branca Dias já estava morta há muito tempo quando ocorreu a Visitação do Santo Ofício, em 1593. Apesar de morta, foi denunciada e condenada.

Miriam Halfim escreve contos e,
após estudar com João Bethencourt
e Renato José Pécora, dramaturgia.

Agenda

  • 04/12: Ecos da Inquisição

    A peça está em cartaz no CCJF: Avenida Rio Branco 241, Cinelândia, RJ. De sexta a domingo às 19h. Desde 4 de Dezembro até 07 de Fevereiro de 2010. O espetáculo tem o patrocínio da Eletrobrás e a direção do premiado Moacir Chaves. 

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